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Decisões Sobre os Números de Chamada

Os Números de Chamada foram de longe a parte mais desafiadora de todo o desenvolvimento da Biblioteca, não apenas pelas especificidades de uma biblioteca espírita, mas também por problemas que só foram identificados durante o uso em escala, depois de dezenas (às vezes centenas) de etiquetas já terem sido aplicadas.

O processo decisório sobre os números de chamada não só foi estressante por requerer várias revisões, mas também pelo retrabalho em substituição de etiquetas representa após cada revisão. Todas as decisões aqui registradas têm um motivo de ser e visam evitar futuros conflitos. São o fruto de experiência adquirida e muitas cartelas jogadas fora.

Estrutura do Número de Chamada

A seguinte estrutura foi escolhida pensando em etiquetas no tamanho Avery 65 ou PimacoA4251 (21,2mmx38,2mm com 65 por cartela). Este formato tem se provado satisfatório e não há previsão de mudanças.

Linha Descrição
1 Classificação (CDE)
2 Número do Autor (Cutter-Sanborn)
3 Número da Obra (Cutter-Sanborn simplificado)
4 Edição (Sem espaços)
5 Volume ou Número da Série

Classificação (CDE)

Classificações mais generalistas como a CDD ou a CDU não apresentam a estratificação suficiente para organizar uma biblioteca espírita, já que todos os livros seriam classificados como “livro espírita” e não haveria ponto em tentar realizar uma classificação temática mais minuciosa.

Escolhemos a Classificação Decimal Espírita (CDE), não apenas porque aparentemente esta é a única classificação que procura abordar a literatura espírita, mas também por ser a classificação escolhida pela FEB, que já a inclui em suas obras recentes.

Desta forma, acreditamos que, mesmo tendo seus pontos fracos, confiar na CDE é muito melhor que tentar desenvolver uma classificação própria, ou tentar usar as regras da CDU para criar códigos mirabolantes.

Números de Autores

Ideia inicial: Usar os números originais

Muitas edições já vem com a catalogação feita na fonte e um número de autor escolhido. Essa pareceu a melhor alternativa inicialmente, mas logo descobri que edições muito antigas parecem usar fontes de catalogação diferente (os números não batiam para um mesmo autor) a ponto de ter alguns conflitos com nomes muito semelhantes.

Nós também decidimos catalogar obras psicografadas por autor espiritual, tornando a catalogação original (por médium) de muitas obras unútil para nossa aplicação

Primeira tentativa: Usar geradores online

Rapidamente encontrei geradores online de códigos cutter que pareciam uma boa alternativa, até perceber que nomes muito similares estavam tendo o mesmo código. Ao estudar profundamente a tabela cutter-sanborn, descobri que os geradores não lidavam com conflitos e não faziam interpolação dos códigos.

Para formar os Números de Autores, utilizamos a tabela Cutter-Sanborn Three-Figure Author Table (Swanson-Swift Revision, 1969)

Número de Obra

As instruções originais da tabela Cutter-Sanborn indica que o número de obra deve ser formado adicionando a primeira inicial minúscula não suprimida do título ao número de autor, utilizando as duas primeiras letras em caso de conflito. Isso pode funcionar muito bem em bibliotecas generalistas, onde a regra parece ser um grande número de autores diferentes, com um número reduzido de obras publicadas por autor.

Num contexto de biblioteca espírita, com autores muito prolíficos, temos o problema contrário: um número reduzidos de autores e muitas obras publicadas por autor.

Desta forma, a orientação original não é adequada, já que os números de obra logo saem do controle e começam a ficar confusos misturando letras com números e códigos muito longos que acabam sendo ocultos na dobra da etiqueta de lombada.

Cutter Simplificado

A solução encontrada foi separar o número de autor do número de obra, adicionando uma segunda linha apenas para codificar o título da obra. Desta forma, decidiu-se por usar uma versão simplificada da tabela cutter-sanborn:

  1. Encontra-se o código que melhor corresponde à primeira palavra não suprimida do título da obra;
  2. Retira-se o terceiro dígito do código para simplificá-lo;
  3. O terceiro dígito pode ser usado para resolver conflitos.

Assim os códigos podem ser gerados indefinidamente, garantindo uma rápida identificação e ordenação.

Problemas Encontrados

Um problema encontrado nos números de obra foi causado por um lapso e só foi identificado durante o uso real com a ordenação de dezenas de obras por vez. Estávamos usando letras maiúsculas para representar tanto o número de autor, quanto o de obra, e isso acabou gerando confusões nas quais alguém confundiu a ordenação.

Respeitando a própria instrução da Cutter-Sanborn e visando facilitar a rápida identificação, decidimos usar letras minúsculas para os títulos.

bemin/decisoes_numeros_de_chamada.txt · Última modificação: por niz